Correntes da sociologia contemporânea
Sociologia é o estudo do comportamento social das interações e organizações humanas. Na realidade, todos nós somos sociólogos porque você e eu estamos sempre analisando nossos comportamentos e nossas experiências interpessoais em situações organizadas.
O objetivo da sociologia é tornar essas compreensões cotidianas da sociedade mais sistemáticas e precisas, à medida que suas percepções vão além de nossas experiências pessoais. Pois nós somos simplesmente pequenos jogadores num mundo imenso e complexo, com pessoas, símbolos e estruturas sociais, e somente ampliando nossa perspectiva além do "aqui e agora" é que podemos perceber as causas que moldam e limitam nossas vidas.
A Sociologia contemporânea é marcada fortemente por duas correntes teóricas: a Teoria da ação e a Teoria estruturalista. Temos notado nas últimas décadas uma tentativa de combiná-las, desenvolvê-las e criticá-las, acrescentando uma perspectiva histórica. Dentre vários, três sociólogos contemporâneos merecem destaque por ter influenciado mais fortemente com seus trabalhos, tais correntes: Erving Goffman, Pierre Bourdieu e Norbert Elias.
Erving Goffman
Goffman é um dos sociólogos que mais se destacaram no uso da teoria da ação. Seus trabalhos foram focados mais na ação social e menos na estrutura. Já Bourdieu e Elias, buscaram associar as duas dimensões (ação do indivíduo e a estrutura social), criando uma espécie de teoria relacional, buscando apontar a relação entre as ações dos indivíduos e a estrutura, sem que uma das duas dimensões tivesse um peso maior sobre a outra.
Tanto Bourdieu, quanto Elias, buscaram na história fundamentos explicativos do social. O que não fez Goffman. É certo que o interesse pela sociologia histórica foi mais forte nos estudos de
Tanto Bourdieu, quanto Elias, buscaram na história fundamentos explicativos do social. O que não fez Goffman. É certo que o interesse pela sociologia histórica foi mais forte nos estudos de
Norbert Elias, em relação aos trabalhos de Bourdieu.
Foucault
Foucault, embora não seja um sociólogo, apresenta uma grande contribuição à Sociologia Histórica. Certamente o que ele fez foi uma Filosofia Histórica, amarrando a questão estrutural à questão histórica de forma brilhante. Para Foucault, a História é um grande recurso metodológico e ao mesmo tempo objeto. Portanto, a classificação de obras e autores em correntes de pensamento naturaliza aquilo que é histórico e social. As correntes traduzem a classificação dos autores que as cunharam e a interpretação dos autores classificados.
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| Norbert Elias |
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| Pierre Boudieu |
Foucault
Foucault, embora não seja um sociólogo, apresenta uma grande contribuição à Sociologia Histórica. Certamente o que ele fez foi uma Filosofia Histórica, amarrando a questão estrutural à questão histórica de forma brilhante. Para Foucault, a História é um grande recurso metodológico e ao mesmo tempo objeto. Portanto, a classificação de obras e autores em correntes de pensamento naturaliza aquilo que é histórico e social. As correntes traduzem a classificação dos autores que as cunharam e a interpretação dos autores classificados.
As correntes sociológicas
Dito de outro modo, as correntes impõem a seleção e organização dos autores que foram colocados em cada uma das correntes. Assim, Durkheim, por exemplo, era um autor da corrente conservadora, colocado em oposição à “corrente crítica”, liderada por Marx. Aliás, Durkheim continua sendo apresentado como um autor avesso à mudança.
Assim como grandes pensadores influenciaram a formação da Sociologia nos tempos atuais, correntes e convenções ideológicas também exerceram e ainda exercem influencia no meio. Como principais exemplos, podemos mencionar a Escola de Frankfurt, que é contemporânea e apresenta temáticas inovadoras em relação ao marxismo. Esse grupo de intelectuais, que na primeira metade do século passado produzia um pensamento conhecido como Teoria Crítica, saiu de Frankfurt, na Alemanha, para se refugiar nos Estados Unidos, voltando apenas na década de 50. Dentre eles temos Theodor Adorno, Max Horkheimer, Herbert Marcuse e Walter Benjamim.
Na Europa do início do século XX, os rumos e os resultados a que se chegaram com os feitos políticos em nome do proletariado e de uma ideologia marxista começaram a ser reavaliados por alguns intelectuais. A ideia de que a luta entre burgueses e proletariado iria resolver as coisas era questionada ao se perceber o crescimento de uma classe média. Segundo consta, esta geração de pensadores subsequente aos primeiros marxistas tinha o mal-estar de não possuir uma definição exata do marxismo.
Escola de Frankfurt
Desse modo, nasceu a Escola de Frankfurt, a qual se dedicou a partir da década de 20, ao estudo dos problemas tradicionais do movimento operário, unindo trabalho empírico e análise teórica. Em virtude da perda de sua tradição intelectual, o marxismo para os frankfurtianos foi alvo de um movimento autorreflexivo. O que será característico no marxismo ocidental é esta autorreflexão do que era, foi e seria futuramente o marxismo, com obras que trataram de temas como o “novo” papel do materialismo histórico, o conceito de história, a tomada da consciência de classe, a cultura, a arte, literatura, enfim, todas consideradas como categorias e instrumentos para, se pensar as transformações, a validade, as limitações, possíveis caminhos e leituras do marxismo diante da sociedade industrializada moderna. Para alguns estudiosos, os autores ligados à Escola de Frankfurt não se pretendiam realmente comentadores ou intérpretes do pensamento de Marx, mas tinham como proposta buscar inspiração no marxismo para uma análise da sociedade contemporânea.
Na sociologia, a Escola de Chicago representa um conjunto de teorias cujo principal tema eram os grandes centros urbanos, pela primeira vez estudados etnograficamente. Tratando de economia, a Escola de Chicago representa uma corrente que defende o livre-mercado. Seu mais conhecido representante é Milton Friedman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1976. Por fim, no que se refere à comunicação, a Escola de Chicago representa um conjunto de estudos sobre a comunicação na sociedade, afirmando que a sociedade é um produto da comunicação que torna possível o consenso entre as pessoas, afirmando que a comunicação serve, promove e reprime o conhecimento.
Escola de Chicago
Outro grupo importante para a sociologia contemporânea foi formado na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, ficando conhecida como a “Escola de Chicago” e abrangendo escolas e correntes do pensamento de diferentes áreas e épocas que ficaram conhecidas por serem discutidas e desenvolvidas em tal cidade norte-americana.
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| Escola de Chicago |
A cidade de Chicago dos anos 20 e 30 constituía um riquíssimo "laboratório natural" de investigação: o crescimento rápido e desmesurado da cidade, a chegada contínua de (i)migrantes de todas as nacionalidades, raças e religiões incentivaram o nascimento de uma teoria distinta para as questões urbanas. A ecologia urbana forneceu os princípios para a análise dos novos modos de vida.
O fenômeno da competição pelo terreno levou R. Park e E. W. Burgess a desenvolver a "teoria das zonas concêntricas", que relacionava o crescimento espacial da cidade com a sua segmentação social. Há um cariz etnográfico na maior parte dos estudos da Escola de Chicago. A associação ao interacionismo simbólico deriva da ideia de que o estudo das áreas urbanas, dos grupos sociais, e da ocupação espacial estão em relação com as identidades construídas através da percepção que o indivíduo tem de si próprio e da sua percepção da imagem que os outros têm de si. É o caso do trabalho de W. Thomas e de George Herbert Mead. Outros autores de relevo associados a esta escola são L. Wirth, W. F. Ogburn e R. Mackenzie.
Nos anos 30, com a popularidade do funcionalismo de Parsons, o predomínio desta Escola começou a decair. Nos anos 40 uma nova geração surgiu em Chicago que contribuiu grandemente para um renovado interesse pelos interacionismo simbólico e pela investigação qualitativa. David Matza chamou-lhe a 'neo-chicagoan school' aí incluindo nomes como os de E. Goffman, W. F. White, Anselm Strauss, David Gold e Eliot Friedson.
Conclusão
Por tudo que foi dito, podemos inferir que a partir da perspectiva da história e formação das correntes sociológicas contemporâneas é possível compreender parte das hipóteses, obras e conceitos que atribuíram significados e definições nos últimos tempos. Pelas lutas e pelos espaços que ocuparam, percebemos que somente após o estudo de tais correntes, é possível compreender e absorver seus significados e contribuições também para o tempo presente.
Localizar autores no interior de seu grupo, no interior de suas histórias, demonstrar como ocorreram suas trajetórias e verificar o significado de suas obras e conceitos em relação ao seu próprio tempo, é tão importante quanto a própria compreensão das ideias que se desdobram a partir de suas proposições iniciais.
Por fim, podemos definir que as correntes da sociologia contemporânea manifestam-se em um espaço social diferente daquele no qual os fundadores da Sociologia começaram a trabalhar. Como a Sociologia nasceu de uma reflexão sobre a crise de constituição do mundo moderno, na atualidade ela tem como horizonte a crise social atual, as contradições e dissonâncias que aparecem na cena social contemporânea.
Movendo, entretanto, a reorganização da Sociologia, vimos que as expressões e entendimentos de uma geração de sociólogos podem apresentar novos paradigmas e possibilidades de um olhar explicativo sobre as angústias e as transformações do mundo dinâmico do futuro.
Movendo, entretanto, a reorganização da Sociologia, vimos que as expressões e entendimentos de uma geração de sociólogos podem apresentar novos paradigmas e possibilidades de um olhar explicativo sobre as angústias e as transformações do mundo dinâmico do futuro.




